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selecione a edicao  Edição: Ano 4 | No. 46 | Junho/2007 | pág. 72 a 73
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China surpreende ao investir em private equity dos EUA


O governo chinês anunciou, no fim de maio, que vai adquirir cerca de US$ 3 bilhões em ações do grupo Blackstone, segundo maior fundo de private equity do mundo. Com lucro de US$ 2,3 bilhões em 2006, o Blackstone tem receitas anuais de US$ 83 bilhões. Segundo o jornal The New York Times, esse é o primeiro esforço do país para diversificar seu US$ 1,2 trilhão em reservas de moeda estrangeira investindo em um empreendimento privado, além de títulos do Tesouro norte-americano.
 
A operação representa um banho de recursos na já próspera indústria de private equity, principalmente em um momento de forte entrada desses fundos na China. O acordo coincide com o IPO de cerca de US$ 4 bilhões do Blackstone que será realizado este ano na Bolsa de Nova York e dará ao governo chinês uma participação de cerca de 8% nas ações do grupo. Para viabilizar a participação, o governo chinês vai criar um braço público de investimento denominado State Foreign Exchange Investment Company.
 
Na operação, chama atenção o fato de a China ter concordado em adquirir exclusivamente ações não-votantes e, mais, sem indicar sócios-gerais ou conselheiros para ela. O país aceitou também manter suas ações por um período mínimo de quatro anos. O acordo tende a ser bom para os dois lados. Para o Blackstone, permitirá alavancar suas ações e ampliar o acesso a ativos na China. Ao governo chinês, proporcionará a participação no boom da indústria de private equity e a diversificação de reservas, ampliando o retorno de longo prazo ajustado pelo risco.
 
Curiosamente, boa parte dos recursos deverá voltar para a China, já que o Blackstone definiu como foco encontrar boas oportunidades de investimento no país. Segundo o co-fundador do Blackstone, Stephen Schwarzman, “a decisão de um país investir parte de suas reservas em um fundo é uma mudança histórica, uma decisão gigantesca que rompe um paradigma no fluxo global de capitais”.
 
O acordo possui diversas implicações para a governança corporativa, já que fornece combustível para o aumento da já incessante atividade dos fundos private equity, reconhecidos por seu ativismo e foco em resultado na aquisição e reestruturação de empresas. Sob uma perspectiva mais ampla, o investimento de bilhões de dólares da China no mercado financeiro por meio de fundos de investimento pode aumentar o preço dos ativos e a liquidez internacional, afetando os títulos corporativos e as taxas de juros de todo o mundo.


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